Quando cordas fazem um Zeppelin de Chumbo alçar voos!

Esta experiência, como grande parte dos textos memorialistas, tratou-se de um fenômeno quase sinestésico, em que a canção vem embalada de aromas e visões sonoras que de certa forma se ajudaram a moldar minhas preferências sonoras. Trata-se de algumas experiências de audição da canção “Going to California” do conjunto inglês Led Zeppelin.

A primeira experiência sonora que tive com o Led Zeppelin foi quando a canção “Stairway to Heaven” fez parte da trilha sonora da novela “Top Model”,  na década de 80. Não que em minha infância eu fosse um fiel telespectador da telenovela, mas a trilha dessa novela acabou sendo repercutida até para quem não assistia a novela (me recordo ainda de outras canções que fizeram parte dessa trilha que poderiam ser relatadas em experiências sonoras negativas, como “Oceano” de Djavan e a versão horripilante de Kiko Zambianchi para “Hey Jude” dos Beatles, mas isso fica para outro momento, outro relato). No caso de “Stairway to Heaven” , sua primeira audição me mostrou novos territórios que poderiam ser utilizados no rock, como o uso do violão e da flauta, que não eram tão presentes no rock mainstream ouvido ao final da década de 1980. Essa canção certamente foi uma das que meu inspirou a procurar aulas de violão com o saudoso Sr. Godóis, que ensinava gratuitamente violão popular para adultos e crianças na minha cidade natal, acho que sobre tudo isso, poderia ser escrito em outro relato, melhor parar por aqui e voltar a canção original…

O meu interesse por “Stairway to Heaven” fez com que me motivasse a pedir de presente de aniversário o álbum “Led Zeppelin IV” que tinha essa canção. Já havia tido contato visual com os discos do Led Zeppelin na estante de um primo mais velho, no entanto, não havia ouvido na íntegra nenhum álbum da banda com a devida atenção. Quando ganhei o disco, estranhei a capa sem nenhuma menção banda, apenas com a imagem do quadro de um velho eremita, com gravetos nas costas, pendurado numa parede desgastada pelo tempo.

Comecei então a audição do álbum: duas pedradas do rock no início do álbum – as canções “Black Dog” e “Rock n’ Roll” –, o clima acústico aparece na terceira faixa “The Battle of Evermore” e o ápice do álbum seria – até aquele momento para mim - com a faixa que havia tocado naquela novela.

Um dos aspectos que mais me interessava nos discos do vinil era a concepção do álbum, sendo dividido em dois lados: A e B. Como aparece de forma genial no filme brasileiro “Durval Discos”, todo o lado B de um disco era muito diferente do lado A, tendo de um modo geral aquelas canções que afetam o ouvinte através de estranhamento e/ou experimentação. No caso do “Led Zeppelin IV”, esse estranhamento surge através de canções com a predominância de pianos elétricos ao invés de guitarras (Misty Mountain Hop), influências da música oriental (“Four Sticks”) e o encerramento com a presença de um blues elétrico épico (“When The Leeve Breaks”), mas antes de fechar, surge a menor peça, apenas no sentido temporal, álbum “Going to California”.

Conforme verifiquei posteriormente em alguns textos sobre essa canção, “Going to California” é uma homenagem da banda, principalmente da parte do vocalista Robert Plant, à cantora de música folk norte-americana Joni Mitchell e sua letra descreve uma viagem pela região da costa oeste dos Estados Unidos, à procura de uma musa, passando por algumas intempéries da natureza.

A canção trouxe de novidade naquela audição, um clima bucólico e ao mesmo tempo cinético, que até então era uma afetação inédita para mim em termos de música. O bucolismo estaria presente na serenidade do intérprete, começando com um suspiro e terminando com o desparecimento de sua voz através de ecos e reverberações. Já a sensação de movimento seria causada pelo belo, e contínuo, diálogo de bandolim e violão que permeiam toda a canção.

Tudo isso ocorreu entre 1991 e 1992, que na “maturidade” de meus 13 anos, estava avançando consideravelmente na minha coleção de discos de vinil e descobrindo sonoridades de uma década que gostaria de ter vivenciado, musicalmente falando, os anos 70. Mas gostaria neste momento de dar um salto temporal, especificamente para janeiro de 1996.

Como era um garoto que residia num pequeno município no interior do estado, dificilmente tinha acesso a espetáculos musicais. Quando muito, via um show de algum conjunto da cidade ou de algum artista com certa fama, nas festividades municipais da cidade – lembro-me de ter assistido a duas bandas de rock nessas situações: o grupo “Zero” (que apesar do ostracismo de hoje, tinha certo sucesso na época) e o saudoso conjunto “Os Incríveis”, que trouxe uma experiência de virtuose instrumental que até então eram novidades para mim. Como o Led Zeppelin encerrou suas atividades em 1980, a experiência mais próxima de um show dessa banda ocorreria no início do ano de 1996 quando o festival Hollywood Rock traria a turnê de Jimmy Page e Robert Plant, respectivamente guitarrista e vocalista do conjunto inglês. O show desse duo seria baseado num acústico que eles haviam lançado para a MTV e trazia releituras de algumas canções do Led Zeppelin. Esse show, no estádio do Pacaembu, foi a minha primeira experiência num grande espetáculo de rock.

As luzes do palco se apagaram, os músicos (junto a um trio de apoio responsável pelo contrabaixo, bateria e teclado) entraram no palco soltando algumas pedradas sonoras que me surpreenderam positivamente, num clima de energia e muita distorção, bem diferente do disco que haviam lançado no ano anterior. Logo em seguida, entrariam diversos músicos convidados: uma orquestra de câmara com músicos brasileiros; uma orquestra com músicos do Egito e do Marrocos; e um músico tocando hurdy gurdy, instrumento de origem medieval.

O concerto ia tudo bem até o momento em que as luzes do palco ficaram apenas nos dois músicos principais e começaram a executar “Going to California”. Essa canção não fazia parte do álbum de releituras que eles haviam lançado, e sua execução havia sido uma agradável surpresa. Os primeiros acordes de Jimmy Page soaram juntos à voz de Robert Plant, e logo em seguida entraria bandolim. Neste momento, uma sensação de estar na rede da casa de minha avó, quando ouvia os meus discos na casa dela nas tardes de domingo, me invadiu. Os barulhos aleatórios dos carros e pessoas que passavam em frente à casa de minha avó me vinham à memória, junto à vibração da plateia que estava assistindo a execução dos músicos ingleses. Essa introspecção teve seu ápice quando as cordas da orquestra de câmara entraram na canção. Nesse momento, aquela rede que eu estava deitado na casa de minha avó, levantou voo a partir da energia emitida por aquelas ondas sonoras que me vinham à escuta, como aquele zepelin de chumbo fazia durante a década de 1970. Nesse momento o que era memória tornou-se mágico e a aterissagem desse voo verteu-se em lágrimas, de forma que nunca mais ocorreu em nenhum outro concerto que presenciei. Foi algo assim… de tal modo que após o show, fiquei ouvindo apenas Led Zeppelin por aproximadamente um mês… para voar às vezes precisamos apenas de uma boa canção!

Há 203 anos, nascia Edgar Allan Poe!
“O corvo”, por James Earl Jones
#PoeDay 

Banda francesa ultra-romântica que mescla shoegaze, post-rock e…. black metal!

1 note

cinemaemcena:

Woody Allen e Diane Keaton.

cinemaemcena:

Woody Allen e Diane Keaton.

28 notes

The Flaming Lips

Ao final do ano, não tem como não reconhecer a importância do “The Flaming Lips” para o rock contemporâneo, inserindo doses cavalares de experimentalismo.

Aqui vão suas proezas nos últimos 2 anos, o que não é pouco:

#1 - Dark Side of the Moon - Regravaram o clássico do Pink Floyd no final de 2009, com a presença do Henry Rollins e de Peaches, um resultado bem interessante…

http://www.youtube.com/watch?v=-M1fehewh3A 

#2 - The Soft Bulletin Live La Fantastique de Institution 2011  - Fizeram o show, aparentemente, num ginásio de colégio onde executaram o álbum “The Soft Bulletin” na íntegra…

http://www.youtube.com/watch?v=HeXayz3mp-Q&list=UUrBEuf1OMmrX9T3qHqYs3hA&index=10&feature=plcp

#3 - Fetus - Pen drive com três canções da banda, inserido num feto produzido com bala de goma comestível

#4 - Show no Hollywood Forever Cemetery - Show em cemitério: http://www.youtube.com/watch?v=ZbiN1zBx2Ko&feature=related

#5 - I Found A Star On The Ground - Música de seis horas, lançada em camapnha beneficiente, precisa falar algo?

http://soundcloud.com/slowonerveoaction-3/the-flaming-lips-i-found-a  

#6 -  Skies H3 - Canção com duração de 24 horas!!!. Vendida num hd, dentro de um crânio (de verdade!).

A loucura sonora pode ser conferida aqui: http://flaminglipstwentyfourhoursong.com/. Apenas 1000 ouvintes simultaneamente…. 

Bom, depois de tudo isso ainda teve a canção natalina com Yoko Ono (http://atlaseetschristmas.com/) e o cover de I Am the Walrus (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CaW4FciCdiQ)

2011: uma odisseia (feminina( musical:

Cinco vídeos que justificam tal hipótese:

2011: uma odisseia (feminina) musical #5 - Lana Del Rey